Segurança, monitoramento proativo e controle de dispositivos móveis.
MDM ganha força com o mundo mobile
O mercado de gestão de dispositivos de mobilidade deve viver um boom
em 2012 no Brasil. A expectativa é de empresas que trabalham com MDM
(Mobile Device Management). “Em 2008, falávamos para as paredes, hoje
isso mudou e todos querem ter controle desse mundo novo de vários
sistemas operacionais e aparelhos acessando dados da companhia”, diz o
presidente da Mobiltec, Roni Silveira.
O segmento é recente no mundo da TI, mas é destacado como de grande
potencial. A Forrester recentemente refez suas expectativas sobre o
tamanho do mercado de MDM e mudou a previsão de faturamento de 3,9
bilhões para 6,6 bilhões de dólares em 2015. O Gartner divulgou seu
conhecido Quadrante Mágico para a modalidade em abril. O documento
enfatizou que o setor possui um rápido crescimento devido à nova etapa
da mobilidade corporativa.
Nessa nova febre, a proliferação de dispositivos dentro das empresas
vem acompanhada de múltiplos sistemas operacionais e um desconhecimento
sobre qual será a próxima novidade. Somente nos últimos meses, esse
nicho viu o surgimento de um novo smartphone e sistema operacional da
Apple; um novo aparelho da Amazon; incertezas sobre os planos da HP;
anúncios de diversos aparelhos para Android; e a expectativa de preços
baixos nos tablets brasileiros. É por isso que a principal função do MDM
tem sido permitir escolhas e facilitar a adoção de políticas de
mobilidade dentro das empresas.
Nesse novo cenário, o serviço surge como a tábua de salvação da TI
diante dos desafios da empresa que cabe na mão do funcionário. “Muitos
clientes chegam até nós porque algum diretor já comprou iPads e a TI
precisa dar acesso ao novo dispositivo”, comenta Silveira. É com isso
que os CIOs convivem hoje. As áreas de negócio têm independência para
comprar tecnologia e suas demandas são urgentes.
Mas é a TI que se preocupa com o valor dos dados. E quando uma
centena de tablets precisa operar do mesmo modo que desktops na mesa do
funcionário, de forma segura e eficiente, o ambiente se torna mais
complexo e a necessidade de um MDM surge. Os dispositivos móveis não
podem falhar, não podem ficar sem bateria, sem conexão e,
principalmente, não podem deixar informações relevantes vazarem ou
intrusos invadirem a empresa por meio deles.
E brechas para isso não faltam. Se é comum perder um notebook no
taxi, perder um smartphone durante uma palestra com dezenas de
concorrentes ao lado é mais fácil ainda. Imagine quantos contatos de
clientes, tabelas de preços e planos estratégicos poderiam ser
facilmente lidos e copiados se isto ocorresse. Um MDM ajuda a gerenciar
isto. O sistema pode travar o acesso ou mesmo apagar os dados, de acordo
com o uso e a localização do aparelho.
E não é o único benefício. A gestão dos dispositivos permite que a TI
organize o custo do consumo dos aparelhos. Um funcionário em viagem ao
exterior pode ter um limite para roaming ou mesmo ter o plano trocado
para que a contabilidade da empresa não se arrependa da chegada do mundo
mobile.
É por isso que, mesmo com a falta de números sobre o mercado
nacional, as fornecedoras que trabalham com MDM estão entusiasmadas com o
possível boom em 2012. “As empresas começam a viver essas dificuldades e
estão acordando”, aponta o diretor de operações da Navita, Fabio Nunes.
Grande expectativa
Três fatores conhecidos são os principais nessa análise. O primeiro é
a febre da mobilidade. Um estudo da Mowa mostra que 13% das 540 maiores
empresas brasileiras já têm aplicativos para tablets. É um índice
tímido, mas surpreendente para um produto que somente há cerca de um ano
vem sendo analisado pelas empresas como ferramenta de produtividade.
O segundo fator é a independência que existe hoje dentro das
empresas. Os executivos de negócio podem definir algumas compras de
tecnologia de uso pessoal. Eles são responsáveis por introduzir tablets
para os funcionários de seus departamentos. Além disso, é cada vez mais
comum que um profissional volte da viagem ao exterior com uma novidade
tecnológica na mala e exija que ela acesse e-mails e partes do sistema
corporativo.
Por último, os fornecedores de MDM sabem que muitas companhias estão
com planos na ponta da agulha para 2012. Elas já sentiram o problema do
ambiente fragmentado e disperso da mobilidade e avaliam como fortalecer a
infraestrutura de gerenciamento para fornecer segurança, produtividade e
ainda sobreviver às novidades dos fabricantes de novos dispositivos.
A Mobiltec, que “falava para as paredes” há alguns anos, já recebe
leads de venda expontâneos de clientes e parceiros. A expectativa é que
vários negócios sejam fechados no último trimestre de 2011 e sirvam de
modelo para outras empresas adotarem o MDM em 2012. O mesmo ocorre com a
Navita e com qualquer outra com que se converse nesse ramo. E assim, se
configura o boom do produto.
Futuro pede modelos enriquecidos
Apesar da adoção rápida e do potencial do mobile device management
serem garantidos, alguns fornecedores já pensam em como aprimorar o
produto nos próximos anos. Quem tem essa preocupação conhece bem o ciclo
de vida das tecnologias e sabe que em um prazo curto tudo pode mudar.
A chegada de novos fornecedores com preços baixos (inclusive em
modelos de cloud computing) e o avanço tecnológico são sempre forças
certas que eliminam lucros e acabam com negócios. “Esperamos uma
commoditização do MDM daqui a três anos. Ele vai virar uma coisa banal”,
aponta o gerente de desenvolvimento de negócios da BinarioMobile,
Marcelo Santos.
Esse cenário é possível de ser verificado atualmente. Em lojas de
aplicativos (app stores) existem programas que podem fazer a localização
de aparelhos, protegem o dispositivo ou sincronizam dados. Essas são
algumas das funções que já existem no MDM. Esses aplicativos ainda não
são tão completos, mas quem conhece tecnologia sabe que isso é uma
questão de tempo. “Os próprios dispositivos tendem a ficar mais
inteligentes e, com isso, poderão fazer uma ou outra função que existe
hoje no MDM”, comenta Santos.
Outra tendência está na evolução dos aplicativos. Teoricamente, a
gestão do aparelho poderia ser embutida no próprio aplicativo com uma
linguagem leve e dinâmica. Com isso, o próprio usuário final seria
responsável pelo uso e segurança do device e dados nele contidos.
Isso não muda o conceito de gerenciamento para a empresa usuária de
mobilidade. E pode, inclusive, aliviar seus custos de aquisição,
deixando o foco maior na definição de políticas internas sobre a
mobilidade. Por outro lado, altera o valor agregado para os fornecedores
de MDM. Eles precisarão buscar outras funções nas novas versões de seus
produtos.
E esse é o lado bom da tecnologia. Se ela tira oportunidade de um
lado, abre de outro. A complexidade das infraestruturas de TI, como
nuvem e virtualização, além da própria mobilidade, devem trazer enormes
desafios de segurança nos próximos anos. Novos dispositivos devem ser
lançados e suas APIs adaptadas ao MDM para que as empresas não parem no
tempo.
Além disso, a busca por redução de custos dentro do aparato
controlado pela TI também deve influenciar de maneira decisiva o futuro
do MDM. Santos acredita que uma das próximas funções que serão
demandadas pelos clientes é o controle de gastos com o uso de telefonia e
rede de dados. “Ter a condição de mudar de plano de operadora durante
uma viagem ou em um caso específico pode trazer enorme economia para as
empresas e o MDM é o melhor lugar para ter isso de forma fácil e
gerenciável”, diz.
O cenário promissor do MDM
Estes são os desafios enfrentados já hoje pelas empresas e que tendem a se complicar ainda mais em um futuro próximo.
- Multiplicidade de dispositivos (celulares, notebooks, netbooks, tablets, e-readers) e sistemas operacionais;
- Controle de custos simultaneamente a uma oferta maior de serviços para aumentar a produtividade da empresa;
- Aumento do número de aplicativos corporativos e oferta de um número ainda maior nas app stores;
- Efetivação da integração de dados no mundo da mobilidade;
- Aumento dos serviços em tempo real para funcionários e consumidores que terão dispositivos mobile em mãos;
- Maiores desafios com a segurança de dados e dos dispositivos;
- Governança sobre a mobilidade;
- Queda de preço dos tablets, tornando-os uma alternativa viável para muitos departamentos da companhia.
Fonte: Revista CRN
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